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Pinduca, nome artístico de Aurino Quirino Gonçalves, ajudou a levar o carimbó para além do Pará ao gravar o ritmo com novos arranjos e instrumentos elétricos. A alcunha “pai da lambada” tem um marco concreto — sua gravação de uma faixa chamada “Lambada”, em 1976 —, mas não prova que ele tenha criado sozinho um gênero formado por uma história coletiva.
Quem é Pinduca e por que é chamado de rei do carimbó?
Pinduca é um músico e compositor paraense associado a Igarapé-Miri. “Rei do carimbó” é uma alcunha cultural, não um título oficial: ela expressa a associação duradoura entre o artista e a divulgação de uma forma gravada e popular do gênero.
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Um perfil publicado pelo POPLine em 9 de dezembro de 2023 o descreveu com 86 anos e 72 anos de carreira; em entrevista posterior a Ismaelino Pinto, Pinduca disse que começou a tocar aos 13. O perfil de 2023, por sua vez, situa o início aos 14 anos. As versões devem permanecer atribuídas às respectivas fontes, não fundidas em uma idade definitiva. POPLine; entrevista a O Liberal via Dailymotion.
Como Pinduca modernizou o carimbó?
O carimbó de Pinduca chegou às gravações com instrumentos elétricos e bateria, combinando elementos locais com arranjos modernos e influências mais amplas. A mudança ajudou a apresentar o gênero a públicos além do Pará e a inseri-lo na circulação da indústria fonográfica. A pesquisa acadêmica de Tony Leão da Costa situa o lançamento do primeiro LP de Pinduca, pela Beverly, em 1973 e analisa essa expansão para além do estado. Tony Leão da Costa, Música Popular no Pará: Tradição e Modernidade (2006).
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Pinduca descreve a intenção como evolução deliberada: “Eu queria modernizar para acompanhar isso que a gente vê até hoje, que nunca mais parou de evoluir.” A declaração foi dada a Ismaelino Pinto, em entrevista publicada por O Liberal via Dailymotion.
Modernização e controvérsia
Nem todos receberam essas mudanças como continuidade. Parte da imprensa e de músicos as criticou como ruptura ou deturpação da tradição. Esse desacordo faz parte da história do carimbó gravado: reconhecer a importância de Pinduca não exige tratar toda inovação como consenso nem escolher entre uma versão “verdadeira” e outra “falsa”. Para comparar abordagens, vale observar a instrumentação, os arranjos, a relação com tradições locais e o contexto de apresentação e circulação comercial. As teses de Costa e de Edilson Matos da Silva discutem esse encontro entre tradição, modernidade e produção fonográfica. Costa (2006); Silva, A Invenção do Carimbó (2018).
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Pinduca inventou a lambada?
As fontes sustentam que Pinduca gravou uma canção chamada “Lambada” em 1976 e que contou em entrevista como chegou ao nome. Segundo seu relato, a ideia surgiu de um ritmo tocado pelos músicos; depois, ele decidiu lançar a música com esse nome. O LP No Embalo do Carimbó e Sirimbó: O Rei do Carimbó Vol. 5, de 1976, é um marco para entender essa gravação e a associação de Pinduca com a lambada. Silva (2018); entrevista a O Liberal via Dailymotion.
Isso fundamenta a ideia de pioneirismo e explica por que a divulgação o chama de “pai da lambada”. Não estabelece, porém, que tenha inventado sozinho o gênero, cuja história é mais ampla e coletiva. O rótulo funciona melhor como alcunha atribuída do que como afirmação definitiva de autoria exclusiva.
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Quais músicas e discos ajudam a conhecer Pinduca?
Para começar, o perfil de 2023 destaca três sucessos associados ao artista. Dois discos ajudam a situar etapas diferentes de sua trajetória:
- “Mistura de Carimbó Com Ciranda”, “Carimbó do Macaco” e “Dança do Carimbó” — canções apontadas como sucessos de Pinduca pelo perfil do POPLine.
- No Embalo do Carimbó e Sirimbó: O Rei do Carimbó Vol. 5 (1976) — LP ligado à gravação de “Lambada” e à consolidação da alcunha “Rei do Carimbó”, segundo a tese de Edilson Matos da Silva (2018).
- No Embalo do Pinduca (2016) — álbum indicado, segundo o POPLine, ao Grammy Latino de 2017 na categoria Melhor Álbum de Raízes Brasileiras. Perfil do POPLine (2023).
Esses títulos oferecem caminhos para ouvir a obra; as fontes citadas não estabelecem quais edições, formatos ou cópias estão disponíveis atualmente.
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Qual foi a importância de Pinduca para a música do Pará?
Sua importância está em ter ajudado a transformar o carimbó em música gravada com circulação mais ampla, levando para os discos arranjos que ele próprio entendia como modernização. Esse percurso tornou visível uma tensão relevante para a música nortista: como um gênero ligado a tradições locais muda ao encontrar novos instrumentos, o estúdio e o mercado sem deixar de carregar suas referências.
O legado não precisa ser reduzido a uma coroa honorífica nem a uma disputa sobre quem pode representar a tradição. Pinduca é uma figura central na história do carimbó popularizado em disco; a controvérsia sobre suas escolhas musicais também ajuda a entender por que essa história continua sendo discutida.
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